Hélio Gracie nasceu em 1 de outubro de 1913, em Belém do Pará, e morreu em 29 de janeiro de 2009, em Petrópolis, Rio de Janeiro, aos 95 anos. Junto com o irmão mais velho Carlos Gracie, é considerado um dos fundadores do Jiu-Jitsu brasileiro moderno. Recebeu os primeiros ensinamentos do judô tradicional de Mitsuyo Maeda repassados por Carlos e, devido à compleição física franzina, dedicou décadas a adaptar a arte para um sistema baseado em alavancas, timing e economia de energia capaz de neutralizar adversários maiores.
Disputou desafios públicos contra lutadores de várias modalidades em uma era anterior ao MMA esportivo. Suas lutas mais lembradas foram contra Masahiko Kimura, em 1951, no Maracanã, onde resistiu por mais de uma hora a um dos maiores judocas da história antes da finalização por chave de braço, e contra Waldemar Santana, em 1955, em duelo de quase quatro horas que está entre os mais longos registrados. Esses combates ajudaram a posicionar o Jiu-Jitsu da família Gracie como uma marca técnica autônoma, separada do judô de origem.
Formou nove filhos faixa preta, incluindo Rickson, Royler, Royce, Relson e Rorion, todos figuras centrais na expansão do BJJ pelo mundo. A Gracie Family Academy de Torrance, fundada por Rorion na Califórnia, foi a peça que cristalizou o Jiu-Jitsu no imaginário do MMA americano via UFC. Hélio permaneceu treinando até idade avançada, e sua doutrina técnica, focada em defesa, timing e finalizações por estrangulamento, segue como base do que ficou conhecido como Gracie Jiu-Jitsu, paralelo ao desenvolvimento esportivo da IBJJF.
